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  • Maria Luiza Rückert

As duas dimensões da vida


Quando observamos a natureza, nós deparamos com duas possibilidades de leitura e interpretação.


Percebemos a existência de escorpiões, aranhas, carrapatos, bicho berne, piolhos, pulgas, cupim, traças, insetos que transmitem dengue, malária, leishmaniose. Quem tem filhos e cães, sabe quanto cuidado é necessário. Se as formigas atacassem a erva daninha... Mas elas destroem justamente as plantas que cultivamos com tanto carinho. Animais devorando filhotes. É difícil criar filhos em meio a vírus, bactérias, cárie nos dentes, parasitas intestinais, bullying. Intolerância, preconceito e perseguição (religiosa, política e sexual) entre os seres humanos. Essa é a dimensão hostil e caótica da natureza.


Mas também percebemos a beleza de uma cachoeira, uma nascente com água límpida, um entardecer colorido, o canto dos pássaros, aves procurando um lugar para dormir, o sorriso puro de uma criança. Os cientistas também descobrem o ajuste fino no universo, possibilitando o surgimento e a continuidade da vida, culminando no Princípio Antrópico. Essa é a dimensão harmônica.


Esses dois polos, que caracterizam toda a dinâmica da vida, também existem e atuam dentro de nós. Dentro de cada um existe um anjinho e também um diabinho. Freud se referiu ao “instinto de vida” e ao “instinto de morte”. Qual dos dois prevalece? Aquele que é alimentado.


Em vista dessas duas dimensões, cada um encontra na natureza aquilo que efetivamente procura. A relação entre o observador e aquilo que é observado torna-se ainda mais evidente na física quântica, pois “uma entidade como um elétron pode se encontrar em um estado que é uma mistura de ‘estar aqui’ e ‘estar lá’”, afirma John Polkinghorne. A observação da realidade subatômica depende do observador, porque “o elétron não possui propriedades objetivas independentes da minha mente”, ressalta Fritjof Capra. O observador não é neutro. Niels Bohr evidenciou que o pesquisador de entidades subatômicas influi na observação de uma onda ou de uma partícula; algo pode se comportar como onda e também como partícula.


Nós nos encontramos dentro de uma realidade constituída de poderes. São vários os poderes que interagem. Cada indivíduo é um campo de força; nós temos o poder para resistir à vontade de Deus. Algumas pessoas irradiam uma energia boa e, por isso, é agradável conviver com elas. Outras pessoas são impulsionadas por inveja e sua energia tenebrosa é destrutiva. É denominada de “personalidade vampiro” a pessoa que está sempre sugando a energia dos outros.


É inegável que há existências abençoadas. São pessoas que estão de bem com a vida. Sabem elogiar com sinceridade e se alegram com o sucesso dos seus semelhantes. E estão felizes com sua condição, mesmo que esta seja uma limitação física. Aliás, muitas pessoas, com uma deficiência física ou uma doença congênita, conseguem irradiar mais alegria e felicidade do que outras com um organismo saudável. De onde advém essa existência abençoada?


Existe uma Fonte de Bênção. Também podemos nos referir a um Manancial de Bênção. Pela sua singeleza de coração, algumas pessoas vivem conectadas com a Fonte de Bênção. Elas sabem que a existência de cada indivíduo está inserida na Totalidade. E também sabem que nós não temos o controle dos acontecimentos. Portanto, precisamos entregar a condução de nossa existência ao Poder que controla os acontecimentos.


Dentro dessa existência impregnada de uma pluralidade de poderes, cada indivíduo participa na construção de seu destino. Não determina, mas participa.


A pessoa, que se atém à dimensão hostil da vida, depara-se com mais possibilidades de ir ao encontro de situações adversas. Émile Coué afirmou com clareza: “Recear a doença é ocasioná-la”.


A pessoa conectada com a Fonte de Bênção tem mais oportunidades para superar as adversidades. O organismo humano está constantemente produzindo células anormais, cancerígenas. E, na maioria dos casos, consegue derrotar e eliminar essas células. Portanto, a luta é permanente. Os oncologistas estão pesquisando por que – em determinadas circunstâncias – a pessoa não consegue vencer essa batalha. Quais fatores emocionais e espirituais influíram em tal situação?


Dentro dessa pluralidade de poderes, existe uma Energia amorosa que se empenha em nos retirar do caos. A Bíblia declara que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo; isso significa que ele quer participar na renovação de cada célula do nosso organismo. Em nosso cotidiano somos exortados a viver o fruto do Espírito, que é “amor, alegria, paz, paciência, bondade, generosidade, fé, humildade e domínio de si mesmo” (Gálatas 5,22).


Muitas pessoas nutrem a sua mente com o noticiário policial. E procuram outras pessoas para compartilhar detalhes de estupros, latrocínios e perversões. Também há as pessoas que passam a maior parte do tempo pensando em doenças. Sentem até prazer em frequentar as salas de espera de consultórios médicos. E acabam encontrando outras pessoas que também ostentam a sua hipocondria. Em tais casos, a doença até proporciona uma identidade para a pessoa, que se notabiliza pelo sofrimento. Mas, será que a vida precisa ser assim?


É verdade que a realidade é desoladora. Muitas vezes, nós passamos o dia inteiro vendo mais o Diabo do que Deus. Certamente é por isso que a vigilância é tão importante no nosso viver diário. Mas, nessa pluralidade de poderes, Jesus é o mais forte, como ensina a “parábola do duelo”, em Lucas 11,20-22.


O médico Paracelso constatou: “A natureza é a causa e a cura das doenças”.


Experimente repetir mentalmente todos os dias: “A minha vida está conectada com a Fonte de Bênção”.


Esta exortação mostra que cada pessoa deve tomar a sua decisão. “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30,19).


Também foi Paracelso que observou: “Toda natureza invisível se movimento através da imaginação. A energia da verdadeira imaginação pode transformar nossos corpos”. Nós participamos na construção da nossa realidade.


Deus quer nos abençoar e conceder vida em abundância. Em muitos casos, as dádivas divinas são bloqueadas pela própria pessoa. Concentrar-se no lado hostil da vida, pensando constantemente no que está errado, equivale a ampliar a dimensão malévola da vida. “Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal”, salientou Jesus.


Portanto, não sejamos um impedimento para as boas dádivas de Deus em nossa vida. Como devemos proceder? Um bom começo está indicado em Filipenses 4,8 – “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.


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