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  • Maria Luiza Rückert

O Milagre do Diálogo II - A Arte do Diálogo e do Convívio



Muita gente pensa que a arte de dialogar é um dom inato que alguns possuem e outros, não.


Quando éramos pequenos, aprendemos a ler, escrever e fazer contas. Muitas vezes erramos. Mas, fomos corrigindo e aprendendo. O problema é que não se costuma ensinar a arte de conversar, dialogar. A gente aprende a pronunciar as palavras corretamente. A gente até aprende outros idiomas. Mas, é difícil encontrarmos alguém que nos ensine os princípios básicos da comunicação. Quantas vezes queríamos dizer uma coisa e acabamos dizendo outra? Quantas vezes sentimos que nos expressamos mal? Quantas vezes percebemos que não nos entenderam? Certamente, raras vezes, alguém tentou nos ajudar a melhorar a nossa comunicação.


É muito comum as pessoas repetirem defeitos de comunicação adquiridos desde a infância, empacando nos mesmos bloqueios e insistindo nos mesmos erros.

Vários pesquisadores das áreas de psicologia e de comunicação já conseguiram identificar e analisar diversas habilidades essenciais para a construção de bons relacionamentos. E mais: descobriram que a maioria dessas habilidades podem ser aprendidas em pouco tempo, se a pessoa estiver motivada para praticar o que os métodos adequados de treinamento se propõem a oferecer.


Para aprendermos a dialogar com os outros, é fundamental também aprimorarmos a arte de conversarmos conosco mesmos.


Há pessoas que dizem que não precisam aprender a conversar, pois “falam até demais”... Mas, a arte de conversar, dialogar, é a busca do equilíbrio entre ouvir e falar. Saber ouvir é tão importante quanto saber falar!


Como já dizia Aristóteles, “muitas amizades deixam de ser feitas por falta de conversa, diálogo”.


É muito importante estarmos atentos às oportunidades de darmos prosseguimento aos nossos contatos!


Muitas vezes, criamos problemas com a nossa maneira de perguntar. Existem, fundamentalmente, dois tipos de perguntas: as que inibem a conversa e as que abrem o diálogo. As pessoas gostam de sentir que a gente está demonstrando interesse em conhecê-las melhor ou, simplesmente, em ouvir com carinho e atenção o que elas querem contar.


Evidentemente, mais importante do que a “técnica de fazer perguntas” é a atitude de verdadeiro interesse pelos outros. Isso sempre acaba transparecendo pelas inúmeras vias não-verbais da comunicação. É imprescindível que o interesse seja genuíno, verdadeiro, pois fingir interesse acaba dando à conversa um clima artificial e constrangedor.


OUVIR COM TOTAL ATENÇÃO – O silêncio vale ouro. As pessoas se sentem importantes e valorizadas, quando nos dedicamos a escutá-las com toda a atenção. Saber dialogar é buscar a harmonia entre o falar e o escutar. Ao aprendermos a arte de sermos bons ouvintes, teremos ao nosso dispor um dos instrumentos fundamentais para realizar um diálogo construtivo, profundo.


O médico que sabe ouvir seus pacientes, não só diagnostica melhor como também inspira maior confiança e bem-estar.


Para ser um bom ouvinte é preciso, antes de mais nada, ter a certeza de estar captando corretamente o significado do que a pessoa está dizendo. Na comunicação, o processo de enviar e de receber mensagens nem sempre é simples. As distorções acontecem com frequência. Antes de a pessoa tentar nos comunicar alguma coisa, é preciso que ela se comunique consigo mesma para saber o que sente ou o que pensa e como vai expressar tudo isso por meio de mensagens verbais e não-verbais. Os códigos de comunicação que ela vai usar (palavras, gestos, tom de voz), são determinados por suas características pessoais, por seus antecedentes culturais, sociais, educacionais, pela situação, pelo seu estado emocional do momento e pelo tipo de relacionamento que ela tem conosco. Esse processo de transformar pensamentos e sentimentos em mensagens de comunicação é chamado de codificação.


Imaginemos uma situação: você colocou um CD de música sertaneja para escutar com um amigo que veio visitá-lo(a). Depois de algum tempo, ele pergunta: “Posso diminuir o som um pouquinho?” Como você vai decodificar essa mensagem?


No caminho percorrido pela mensagem, várias distorções podem acontecer. Outros ruídos do ambiente podem distrair sua atenção ou fazer com que você escute mal o que seu amigo está dizendo. Porém, as distorções mais importantes acontecem, quando atribuímos significados às mensagens que ouvimos, e isso é inevitável. Cerca de 40.000 impulsos por segundo atingem nossos órgãos dos sentidos. Obviamente só conseguimos perceber e prestar atenção a uma pequena parcela desse total. Essa seleção é determinada por nossas expectativas, necessidades, interesses, atitudes, experiência, conhecimento, características de personalidade e estados emocionais. Segundo Sahtré, Olson e Whitney, em seu livro “Let’s Talk” (“Vamos conversar”), escutamos metade do que é dito, prestamos atenção na metade dessa metade e nos recordamos da metade de tudo isso.


As pessoas têm a tendência de ouvir o que querem escutar e de olhar o que querem ver. A percepção é altamente seletiva. E a interpretação das mensagens costuma ser bastante personalizada. Isso faz com que a mensagem da pessoa seja, com frequência, recebida de maneira diferente da intenção com que foi enviada.


Voltando à situação apresentada acima, quando o seu amigo pediu para diminuir o volume do som, como você interpretou essa mensagem? Talvez, ele goste de ouvir música baixinho, quando está conversando, mas você pode achar que ele pediu para baixar o volume porque não gosta de música sertaneja. Ou porque está entediado com a sua companhia... Essas seriam, certamente, decodificações incorretas, mas acontece que nossas reações se baseiam justamente em nossas interpretações, e é isso que dá origem aos desentendimentos na comunicação. É por isso que a capacidade de ouvir com total atenção é tão importante. Ao invés de supormos que nossas interpretações estejam sempre corretas, e reagirmos automaticamente de acordo com elas, tenhamos o cuidado de verificar o que a pessoa realmente quis dizer. Só assim poderemos saber se decodificamos sem distorções a mensagem que acabamos de receber.


Retornando mais uma vez à situação acima, você, por exemplo, poderia perguntar ao seu amigo: “Você não gosta de música sertaneja?”. Talvez, seu amigo dissesse: “Gosto muito, mas gostaria de ouvir mais baixo para poder conversar melhor com você”.

Portanto, ouvir com total atenção significa dizer claramente à pessoa como interpretamos a mensagem que ela nos enviou. Com isso a pessoa percebe que a estamos ouvindo atentamente, e receberemos a confirmação ou o esclarecimento da nossa interpretação.


Fonte:

A Arte da Conversa e do Convívio, de Maria Tereza Maldonado e Alan Garner, Editora Rosa dos Tempos.

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