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  • Maria Luiza Rückert

O sentido de vida



A pergunta pelo significado desta vida é tão antiga quanto a racionalidade do ser humano. Na condição de ente reflexivo, o ser humano se defronta com essa questão. E não se trata apenas de um questionamento reservado aos filósofos. Lá no interior também surge essa pergunta. Não encontrando uma resposta satisfatória, o homem se entrega ao alcoolismo, à violência e ao suicídio.

Neste artigo constam as reflexões de pessoas que se ocuparam com o sentido da vida, começando por Confúcio, passando por Paul Tillich, Elisabeth Kübler-Ross, Wayne Dyer, Richard Carlson, John Stott, Erich Fromm, Deepak Chopra, Charles Spurgeon, Selma Lagerlöf, Viktor Frankl e Rollo May. Poderíamos listar mais pensadores e pensadoras, mas vejamos o que estes nos transmitem.

“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, e depois perdem o dinheiro para recuperá-la. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido” (Confúcio).

“Não é exagero dizer que hoje o homem experimenta sua presente situação em termos de dilaceração, conflito, autodestruição, falta de sentido e desespero em todos os reinos da vida” (Paul Tillich, Teologia Sistemática).

“O homem está dividido dentro de si. A vida volta-se contra si própria através da agressão, do ódio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-próprio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar é o oposto do amor-próprio. É aquela mistura de egoísmo e aversão por nós próprios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos proíbe de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que é capaz de se amar a si próprio é capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si próprio superou o seu desprezo pelos outros”.

“Mas a profundidade da nossa separação reside justamente no fato de não sermos capazes de um grande amor, clemente e divino, por nós próprios. Pelo contrário, existe em cada um de nós um instinto de autodestruição, tão forte como o nosso instinto de autopreservação. Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos”.

“A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios, porque estamos distanciados da Razão do nosso ser, porque estamos distanciados da origem e do objetivo da nossa vida. E não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. Estamos separados do mistério, da profundidade e da grandeza da nossa existência. Ouvimos a voz dessa profundidade, mas os nossos ouvidos estão fechados. Sentimos que algo radical, total e incondicional nos é exigido; mas rebelamo-nos contra isso, tentamos fugir à sua urgência e não aceitamos a sua promessa” (Paul Tillich).

“A vida é dura... e nem sempre é justa. Mas isso não quer dizer que ela não possa ser boa, gratificante e prazerosa. Ainda há muitas razões para dizer sim à vida” (Paul Tillich).

“Nada é por acaso. Tudo na vida acontece por uma razão positiva” (Elisabeth Kübler-Ross, A roda da vida, p. 312).

“A única finalidade da vida é crescer. A suprema lição é aprender como amar e ser amado incondicionalmente” (Elisabeth Kübler-Ross).

“A única evidência da vida é o crescimento. Se você cresce, é porque está vivo”, afirma Wayne Dyer, em Seus pontos fracos, ressaltando que as pedras não crescem.

“Todas as dificuldades porque passamos na vida, todas as tribulações e pesadelos, todas as coisas que vemos como castigo de Deus, são na realidade como dádivas. São uma oportunidade para crescer, que é a única finalidade da vida” (Elisabeth Kübler-Ross).

“E, no fim de seus dias, você abençoará sua vida porque fez o que veio fazer no mundo. A lição mais difícil a aprender é o amor incondicional” (Elisabeth Kübler-Ross).

“Tudo é suportável quando há amor” (Elisabeth Kübler-Ross, A Roda da Vida).

“O propósito da vida não é fazer tudo, mas aproveitar cada passo no caminho e viver uma vida repleta de amor” (Richard Carlson, Não faça tempestade em copo d’água).

“Somente Deus pode dar significado à vida, porque só ele pode suprir o que está faltando” (John Stott).

Torna-se essencial desenvolver “a qualidade mais preciosa com que o homem foi agraciado: o amor à vida” (Erich Fromm).

O amor “é uma atitude, uma disposição de caráter que determina a relação da pessoa com o mundo” (Erich Fromm).

O amor “é a união com alguém ou alguma coisa, exterior a si sob condição de se manter a separação e a integridade do indivíduo” (Erich Fromm).

Nós estamos aqui para descobrir que somos seres espirituais existindo numa forma física. Também devemos descobrir que todo ser humano tem um talento único. “O terceiro componente é o de que devemos servir à humanidade” (Deepak Chopra).

“Estamos na Terra para curar uns aos outros e a nós mesmo” (Elisabeth Kübler-Ross).

“A vida é uma caminhada. Cada dia damos passos. Nosso amanhã é determinado pelos passos que damos hoje” (Charles Spurgeon).

“A nossa vida não deve ser caracterizada por inquietações que geram ansiedade e sim pela fé que produz felicidade” (Charles Spurgeon).

“Nossa ansiedade não esvazia o sofrimento do amanhã, mas apenas esvazia a força de hoje” (Charles Spurgeon).

“Muitos homens devem a grandeza da sua vida aos obstáculos que tiveram que vencer (Charles Spurgeon).

“Faça aquilo que fizer totalmente certo, ore para isso com sinceridade e entregue o resultado para Deus” (Charles Spurgeon).

“Tome para você a promessa de Deus, pois ela é suficiente, e mais do que suficiente, mesmo que todas as fontes da terra se sequem” (Charles Spurgeon).

“Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar” (Selma Lagerlöf).

“O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. O que ele necessita não é a descarga de tensão a qualquer custo, mas antes o desafio de um sentido em potencial à espera de seu cumprimento” (Viktor Frankl).

“Na verdade, o prazer não é em geral a meta das nossas aspirações, mas sim a conseqüência da sua realização” (Viktor Frankl, Psicoterapia e sentida da vida).

“Se realmente víssemos no prazer todo o sentido da vida, em última análise a vida nos pareceria sem sentido” (Viktor Frankl).

“Nunca podemos fazer valer o prazer ou o desprazer como verdadeiro argumento a favor ou contra o sentido de uma ação” (Viktor Frankl).

“A alegria não pode ser nunca um fim em si; não se pode intender para a alegria como tal” (Viktor Frankl, Psicoterapia e sentido da vida).

“Barra o caminho para a felicidade aquele que a todo transe se empenha em tornar-se feliz” (Viktor Frankl).

“Se tivermos motivo para sermos felizes, a felicidade virá a nós de modo espontâneo. E quanto menos nos preocuparmos com ela, tanto mais seguros estaremos de sua presença” (Viktor Frankl).

“Toda pessoa humana representa algo de único e cada uma das situações da sua vida algo que não se repete” (Viktor Frankl).

“A pessoa tem que atingir e captar o sentido, tem que apreendê-lo, percebê-lo e efetivá-lo, isto é, realizá-lo” (Viktor Frankl).

“O que se faz não é dar um sentido, mas encontrá-lo: encontrar, dizemos, e não inventar, já que o sentido da vida não pode ser inventado, antes tem que ser descoberto” (Viktor Frankl).

“Quanto mais o homem apreender o caráter de missão que a vida tem, tanto mais lhe parecerá carregada de sentido a sua vida” (Viktor Frankl).

“Com efeito, a missão não muda apenas de homem para homem – em consonância com o caráter único de cada pessoa – muda também de hora a hora, em decorrência do caráter irrepetível de cada situação” (Viktor Frankl).

“É a própria vida que faz perguntas ao homem. O que o homem tem que fazer não é interrogar, mas ser interrogado pela vida, tornando-se ‘responsável’ “ (Viktor Frankl).

“O homem deve experimentar-se a si mesmo como alguém sempre interrogado” (Viktor Frankl).

“O ser humano não pode viver muito tempo no vácuo. Se não estiver evoluindo em direção a alguma coisa acaba por estagnar-se; as potencialidades transformam-se em morbidez e desespero e eventualmente em atividades destrutivas” (Rollo May).


“Muitas pessoas estão ocupadas só para disfarçar a ansiedade; seu ativismo é um modo de fugir de si mesmas. Elas obtêm um pseudo e temporário senso de vivacidade correndo de um lado para o outro, como se estivessem realizando uma prova de suma importância” (Rollo May).


“A vida não é uma questão de simples otimismo, pois o mal existe; nem de mero pessimismo, pois o bem também existe. A possibilidade da nobreza frente ao mal é que dá à vida seu significado trágico” (Rollo May).


Conclusão.

Confúcio nos ensina a não sacrificar o presente em função de um futuro.

Paul Tillich ressalta a nossa ruptura interior, que provoca agressão, ódio e desespero. Estamos distanciados “da origem e do objetivo da nossa vida” e, por isso, não sabemos “de onde viemos e nem para onde vamos”. Nós “estamos separados do mistério”. O essencial é desenvolver o amor. Nosso instinto de destruição é tão forte quanto o de auto-preservação. Somos cruéis com os outros e conosco mesmos. Tillich também aponta para o caráter duro e injusto da vida. No entanto, “ainda há muitas razões para dizer ‘sim’ à vida”.

Elizabeth Kübler-Ross salienta que a única finalidade da vida é crescer. As dificuldades na vida são uma oportunidade para crescermos. Tudo se torna suportável “quando há amor”.

Wayne Dyer ressalta que os seres vivos têm como característica o crescimento. As pedras não crescem. Portanto, nós devemos crescer.

Richard Carlson mostra que cada passo do caminho deve ser aproveitado, para estarmos dispostos a “viver uma vida repleta de amor”.

Somente Deus pode suprir o que está faltando em nossa vida, afirma John Stott.

Erich Fromm afirma que é o amor “que determina a relação da pessoa com o mundo”. O ser humano deve se unir e também preservar a sua integridade. A qualidade mais preciosa é o amor à vida.

Deepak Chopra salienta que devemos descobrir o nosso talento e servir à humanidade.

Também Selma Lagerlöf e Elisabeth Kübler-Ross apontam para a importância da solidariedade entre as pessoas.

Charles Spurgeon definiu a vida como uma caminhada, onde a ansiedade deve ser superada pela fé, pois esta produz felicidade. A grandeza da pessoa consiste em superar os obstáculos. Devemos fazer o melhor que pudermos e entregar o resultado para Deus. A promessa de Deus é mais do que suficiente.

Viktor Frankl criou a Logoterapia, isto é, a terapia mediante o sentido da vida. Em todas as situações, também no sofrimento, a vida tem um sentido. Este não deve ser inventado, mas descoberto e realizado. O prazer em si não nos proporciona um sentido para viver. Devemos encontrar um motivo para ser felizes, e a felicidade virá de modo espontâneo. Quando alguém descobre a sua missão, também constata que a vida está repleta de sentido. A missão muda de pessoa para pessoa e até mesmo de hora em hora. Cada situação é irrepetível. O ser humano é constantemente interrogado pela vida; cada situação exige dele uma resposta.

Rollo May observou que o ser humano não pode viver no vácuo; ele precisa evoluir e ativar as suas potencialidades. O mal existe, mas o bem também existe. A nossa luta perante as adversidades nos proporciona nobreza.


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