SOBRE MIM

Em 1967, ingressei no curso de Teologia na Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo, RS. Nos meus primeiros dois anos do curso de Teologia, realizei visitas no presídio feminino daquela cidade. Fui despertada efetivamente para a Capelania Hospitalar nas aulas de Clínica Pastoral, ministradas pelo Pastor Richard Wangen. As aulas tinham como eixo a Psicologia de Carl Rogers, que desenvolveu a Terapia Centrada na Pessoa. Aprendi que a situação vivencial da pessoa deve ser levada a sério. Uma pastora não deve atropelar uma pessoa doente com respostas pré-elaboradas, mas ouvi-la atentamente. O sofrimento do paciente não deve ser minimizado; trata-se da dor que ele sente. Em junho e julho de 1972, estagiei na Maternidade do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, RS, atendendo os bebês recém-nascidos e levando o meu apoio pastoral às gestantes, parturientes e mães dos recém-nascidos. Em janeiro e fevereiro de 1973, tendo já noções de Clínica Pastoral, estagiei no Asilo Pella-Bethânia, em Taquari, RS, ocupando-me com crianças órfãs, idosos e portadores de deficiência física e mental. Hoje considero esses estágios como um desejo latente por Capelania.

No início de 1974, comecei o Curso de Educação Clínica Pastoral em Minneapolis, Minnesota, EUA. O curso foi dirigido por Edward Mahnke, uma referência internacional em Clínica Pastoral, e estava assim dividido: de manhã, havia aulas teóricas; a tarde era dedicada à atividade prática. O curso foi realizado dentro do Hospital da Universidade de Minnesota, e a atividade prática consistia em visitas a pacientes, comparável a uma residência médica. Cada estudante era responsável por quatro setores diferentes. A mim coube o setor de crianças e adolescentes com câncer, o setor de adultos com câncer, o setor de crianças com problemas congênitos e o setor de mulheres com gravidez de alto risco. Nos finais de semana, os estudantes assumiam o plantão da Capelania no Hospital Universitário de Minnesota, onde os Capelães integravam a equipe de saúde. Durante o curso, também participei de reuniões com familiares de doentes com câncer. Essas reuniões aconteciam no hospital, à noite. Terminado o curso, fiquei hospedada por duas semanas na casa de uma adolescente com câncer, em Ohio, pois havia se formado um laço afetivo muito forte entre a família e eu. Quando retornei ao Brasil, essa adolescente veio a falecer.

Concluído o curso de Teologia, no primeiro semestre de 1975, trabalhei na Fundação Evangélica de Novo Hamburgo, RS, exercendo lá atividades concernentes à Capelania Estudantil e, simultaneamente, atuei como Capelã Hospitalar no Hospital Regina, naquela mesma cidade. Neste mesmo ano de 1975, passei a desempenhar as atividades de pastora na Comunidade Evangélica Luterana de Ponta Grossa, PR. Além de ministrar cultos juntamente com meu esposo, Pastor Paulo Roberto Rückert, ambos também nos dedicamos à formação de grupos de casais. Realizei um trabalho de apoio pastoral a mulheres gestantes. Em novembro e dezembro de 1975, participei da V Assembleia Geral do Conselho Mundial de Igrejas, realizada em Nairobi, Quênia. Esse evento foi antecedido pela Pré-assembleia de Jovens e Mulheres, que aconteceu em Arusha, Tanzânia, e onde também estive presente. Quando me tornei mãe, eu me licenciei formalmente do pastorado, mas continuei exercendo atividades no âmbito eclesiástico e ecumênico. Em janeiro de 1980, a convite da Federação de Mulheres Luteranas, participei de uma reunião em Caracas, Venezuela, que visava preparar o Primeiro Encontro de Mulheres Luteranas do Cone Sul, realizado em setembro de 1982. No período de 1984 a 1987 apresentei semanalmente programa radiofônico na Rádio Clube de Linhares, abordando temas relacionados à saúde integral. No ano de 1986, fui convidada pelo Conselho Mundial de Igrejas para a Consulta Diaconia 2000, realizada em Larnaca, Chipre. Organizei e coordenei, em 1987, o Primeiro Encontro de Apoio a Portadores de Deficiência Física, promovido no norte do ES. Nesse mesmo ano de 1987, fui convidada pelo Conselho Mundial de Igrejas a participar do encontro Compartilhar Ecumênico de Recursos, em Lima, Peru. Atuei como Assessora Bíblico-teológica nos dois encontros de mulheres do Serviço de Paz e Justiça da América Latina, realizados no Equador (1988) e no Chile (1989). No final de 1989, passei a coordenar a Pastoral da Mulher na Segunda Igreja Presbiteriana (IPU) de Belo Horizonte, MG, estando na direção de diversos encontros ecumênicos de mulheres em âmbito de BH. Em 1991, participei do Programa de Formação em Direitos Humanos, em Santiago, Chile. Em 1992, participei da Primeira Assembleia Continental do Povo de Deus, em Quito, Equador. Nesse mesmo ano, cursei Educação Popular pelo Método Paulo Freire, em Punta de Tralca, Chile. No período de 1992 a 1997, coordenei o Projeto Integrado de Educação Cristã da IPU, produzindo material didático para as igrejas e organizando diversos encontros de jovens, mulheres, presbíteros e pastores. No período de 1992 a 1993, participei da Pesquisa do Perfil das Mulheres das Igrejas do CONIC.

No período de janeiro de 1994 a dezembro de 2014, atuei como Capelã Hospitalar no Hospital Evangélico de Vila Velha, ES. Nesse período, preparei mais de uma centena de voluntários para visitarem pacientes. Meu empenho se concentrou na humanização hospitalar da instituição. Convidada pela Arquidiocese de Vitória, capacitei agentes da Pastoral da Saúde. Os mesmos treinamentos também foram realizados a convite da Secretaria Municipal da Saúde de São Gabriel da Palha, ES e em hospitais da Grande Vitória.

Esse período também foi muito fecundo no que concerne à minha participação em encontros e eventos.

Integrei a diretoria de Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço (1994-2006). Na condição de capelã hospitalar e representante de Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço, participei da Consulta Nacional sobre Igrejas e Aids, realizada em São Paulo, em novembro de 1995.

Convidada pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista de Rudge Ramos, palestrei na Semana de Atualização Teológica, em outubro de 1996, abordando o tema Capelania Hospitalar. O evento se ocupou com experiências pastorais no contexto urbano.

Convidada pela Aliança Mundial de Igrejas Reformadas (AMIR) e pela Aliança de Igrejas Presbiterianas da América Latina (AIPRAL), palestrei na Consulta Continental de Mulheres e Homens de Tradição Reformada da América Latina, evento realizado em Caracas, Venezuela, em novembro de 1996, abordando o tema Colaboração solidária de mulheres e homens na missão de Deus. Coordenei os seguintes estudos bíblicos: Êxodo 1:8-2:10; João 4:1-42; Atos 16:11-15; Atos 18:1-4.24-26.

Em 1997, participei da Assembleia Anual das Mulheres Presbiterianas dos EUA, realizada em Louisville, Kentucky. O tema do evento esteve baseado em Hebreus 12:1-2.

No período de 1997 a 2000, lecionei Diaconia, Pedagogia e Comunicação na Ação Pastoral, Poimênica e Clínica Pastoral na Faculdade de Teologia do Presbitério de Vitória (IPU).

Lecionei Aconselhamento Pastoral, Hermenêutica e Poimênica na Faculdade Unida de Vitória, no período de julho de 2000 a 2007.

Fui delegada em duas Assembleias Gerais da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas: Debrecen, Hungria (1997) e Accra, Ghana (2004).

Em Debrecen aconteceu a 23ª Assembleia Geral da AMIR, em agosto de 1997, sob o tema Romper as cadeias injustas, que foi antecedida pela Conferência das Mulheres, na qual também participei. Fui convidada como delegada brasileira e relatora da Comissão de Assuntos Ecumênicos e facilitadora do grupo de estudos bíblicos de fala espanhola.

Em Accra, Ghana foi realizada a 24ª. Assembleia Geral da AMIR, tendo como tema Que todos tenham vida em abundância. Participei também da Conferência das Mulheres, que antecedeu a Assembleia Geral.

Em novembro de 2001, participei como delegada brasileira e referente do CLAI da Consulta Continental de Pastoras e Teólogas da América Latina e do Caribe, realizada em Manágua (Nicarágua). Tema do evento: Sendo Igreja – Vozes e Visões de Mulheres da América Latina.

Como referente do CLAI Brasil, participei, em outubro de 1994, do Encontro da Pastoral de Consolação e Solidariedade em Assunção, Paraguai.

Integrando a diretoria de Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço (1994-2006), representei a entidade na Noruega, em 2002.

Em setembro de 2003, dirigi oficinas de trabalho sobre visitação hospitalar no 37º. Congresso da Federação das Sociedades Metodistas de Mulheres da 4ª. Região Eclesiástica, realizado em Sarzedo, MG.

Em outubro de 2003, fui palestrante do IV Congresso Ecumênico Brasileiro de Assistência Espiritual Hospitalar, realizado em Rodeio, SC. Tema: O Cuidar de Jesus.

No período de 1999 a 2004, integrei a Comissão do Diálogo Teológico Internacional Católico-Reformado, com o objetivo de articular a teologia católica e a calvinista. Os encontros foram anuais e realizados sob o tema Reino de Deus e Igreja, sendo realizados em:

- Leiden, Holanda, em setembro de 1999;

- Castel Gandolfo, Itália, em setembro de 2000 (oportunidade em que o grupo se reuniu com o Papa João Paulo II, no Vaticano);

- Cidade do Cabo, África do Sul, em setembro de 2001;

- Neury, Irlanda, em setembro de 2002;

- Toronto, Canadá, em agosto de 2003;

- Veneza, Itália, em outubro de 2004.

Em 2007 dirigi duas oficinas – abordando a Capelania Hospitalar – no 1º. Congresso Evangélico de Profissionais da Saúde, realizado em Vila Velha.

Em 2008 participei na elaboração do Dicionário Brasileiro de Teologia, publicado pela ASTE, escrevendo estes dois verbetes: Capelania e Enfermidade.

Cursei pós-graduação em Ética, Subjetividade e Cidadania, na Escola Superior de Teologia (EST), em Vitória, em 2008. Apresentou a monografia sobre Capelania Hospitalar e Ética do Cuidado.

Vivenciei situações em que o quadro clínico do paciente era desesperador. No entanto, a igreja perseverava em oração. E, surpreendentemente, a pessoa melhorou, recuperando-se plenamente. Essas experiências eram reais para quem crê. Nos dias de hoje, existem pesquisas objetivas mostrando a eficácia da oração. A revista Viver Mente & Cérebro publicou uma pesquisa em torno da oração intercessória, reproduzindo uma pesquisa publicada no American Heart Journal: um grupo de pacientes, que havia sofrido um infarto, foi dividido em duas turmas. Uma turma participou de orações de intercessão. Este grupo teve menos complicações pós-operatórias. Também Ervin Laszlo, o maior cientista vivo, relata que, no Hospital Geral de San Francisco, o cardiologista Randolph Byrd formou grupos de pessoas que intercederam por 192 pacientes de tratamento coronário. Havia outros 210 pacientes, pelos quais ninguém orou. As pessoas que intercediam sabiam somente os nomes dos pacientes e suas condições clínicas. Cinco a sete pessoas intercediam por cada paciente. Resultado: as pessoas mencionadas nas intercessões necessitaram 5 vezes menos antibióticos; a incidência de edema pulmonar foi 3 vezes menor; nenhum paciente precisou de incubação endotraquial (entre os pacientes não mencionados nas orações, doze precisaram). O cientista Laszlo salienta que não importa a distância entre a pessoa que ora e o paciente; a oração deve ser focada e repetida. Laszlo também informa que o Dr. W. S. Harris liderou uma equipe de intercessão sob condições mais rigorosas do que as de Byrd, com resultados igualmente significativos. Atualmente, o valor da intercessão é pesquisado com critérios científicos e acadêmicos.

Vivenciei também situações em que a pessoa não conseguia mais viver e tampouco morrer. A família toda sofria com esse drama. Por fim, constatou-se que havia uma desavença não resolvida entre a pessoa moribunda e a cunhada. Chamada a cunhada, para visitar a pessoa enferma, esta conseguiu morrer no dia seguinte. A falta de reconciliação não lhe proporcionara antes a paz e o descanso que precisava para morrer dignamente.

O jovem, com câncer no aparelho digestivo, havia passado alguns dias no CTI, podendo ficar no apartamento em companhia da esposa. Juntamente com minha auxiliar, fui visitá-lo no dia do seu aniversário. Cantamos, lemos textos bíblicos e oramos. A Antiga Bênção Cristã de Viagem – destinada para quem está diante de uma missão, como um novo ano de vida – foi muito oportuna para aquele momento. O jovem casal ficou emocionado. No dia seguinte, o jovem faleceu em paz, entregue a Deus.

Acompanhei uma paciente renal crônica que precisou de um transplante. O rim foi doado pela irmã. O transplante foi bem sucedido, mas a doadora teve uma hemorragia e, três dias depois, morreu. Naquele hospital nunca havia acontecido uma tragédia assim com a pessoa doadora. A equipe médica e a de enfermagem estavam abatidas, e a mulher que recebera o rim, desesperada. Todos estavam precisando ser cuidados: a paciente, os médicos e a equipe de enfermagem.

Em fase terminal de câncer, Manoel estava internado e queria ver os dois filhos pequenos, pois estava se aproximando o Natal. No dia 24 de dezembro de 2002, fui solicitada para preparar os filhos de 5 e 7 anos para visitarem o pai, lúcido, mas muito fragilizado, muito magro e com dificuldades para se comunicar. Acompanhada de minha auxiliar, celebramos o encontro com mensagens de Natal. Todos cantaram Noite feliz. Este foi o último Natal de Manoel, pois ele faleceu dois dias depois.

Em 2015 pretendo continuar fazendo aquilo que é minha especialização: a Capelania Hospitalar. Morando na aprazível cidade de Lagoa Santa, MG, estou organizando todos os textos que produzi ao longo de duas décadas no Hospital Evangélico. Este site é uma expressão desse propósito. Outra expressão, que aglutina minha pesquisa e minhas experiências, é meu livro, que deverá ser publicado em 2016: Capelania Hospitalar e Ética do Cuidado. A partir dessa minha especialização, coloco-me à disposição para proferir palestras, dirigir seminários e participar em simpósios e eventos. Estou pronta para atender convites. Continuo praticando a capelania hospitalar, mas a partir de agora, de uma outra maneira: compartilhando o saber e a experiência que acumulei nesta área. Continuo fazendo aquilo que sei e o que gosto.

Além disso, estou morando a 30 km de meus três filhos e meus três netos. Em menos de uma hora, a família toda poderá estar reunida!

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